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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Philae


Philae abra suas asas sobre nós
Do rabo de uma estrela
Philae te acompanhamos
Na trajetória espacial

Um passo para um novo mundo
O velho descaso e a solidão
Philae que voa pelo espaço
Decifra enigmas alienígenas

Mas Philae, o parasita do cometa
Não enxerga a criança faminta
Não enxerga o velho que grita
Não enxerga o futuro sombrio

E o seu rastro dominador
Congestiona o espaço sideral
Sua luz induz a um novo milênio
Onde tudo será como antes

Oh seres do universo
Guiem-nos com sua sabedoria
Não deixe que a cultura da morte
Se reproduza por aí

Você que não voa e não vê
É mais um que assiste
A massa dominadora
Contando vitórias e glórias

E o povo que sofre
Continua solitário
Essa é nossa sociedade moderna
Vazia e autoritária
 Mãe de nosso mascote exemplar

Philae sua vida é pequena
Assim como a nossa bondade
Pois os monstros da cidade
Utilizam de seu talento e oportunidade
Apenas para si e não para o outro

Milhões morrem de fome
Quatro bilhões voam pelo ar 
De que vale a evolução tecnológica
Se o mundo continua desumano?

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