"A mensagem do fim, as letras do desistente que nunca tentou..."
O tempo corre ligeiramente
Na longa distância do vazio sem fim
Os planos se esvanecem em minha mente
E tudo o que resta é o nada
Cru, severo e doentio
A dor que rasga o coração
E sombrias são as luzes do amanhã
Tão monótonas como a existência
Sem utopias e glórias
Sem amor, felicidade só a dor
A dor penetrante e insistente
Que perfura meu peito sem contato nenhum
Caio frio, sozinho como sempre
Sugado as minhas glórias foram
E tudo que fiz foi inútil como esperado
Mas todas as rotas me levariam ao mesmo lugar
Sou o tudo, sou o vento, sou a hostilidade
Sou aquele que ninguém conhece
O miserável das migalhas que só pensa em seu ser
O grosso, o inculto, o morto
Eu sou a droga que circunda o corpo
E não frequento mesa alguma, seja amiga ou inimiga
Sou a insignificância, sou a mascara da face oculta
Que esconde o rosto desfigurado e a menina nua
O poeta sem rimas, o amante sem excitação
Eu sou o corpo desnutrido... Caindo, caindo
O caçador sem presas, o escritor sem ficção
Eu sou o fim do universo e controlo corpos vivos
Sou o ceifador, sou a morte em essência
Sou - não sou não me controlo, não vivo
E o início começa quando chega o fim
Pois o meio é o nada ser...
A face do medo, a voz da melancolia
Aquele que nada acrescenta e nada faz bem
Eu sou o oprimido, o contido, o tal reservado
Eu sou o ausente...
